XXXII
 

EM LOUVOR

MELANCOLIA, Melancolia, como as tuas mãos são leves!       Partem os ardentes mortais para as alvoradas, magnificam-se nas altas claridades, mundos nascem do nada.Tu te calas.

       Era sonho? Lá se foi, batem à porta, já , à porta, o Desespero e a Mágoa – comparsas do amor, que essa é a dura lei, a Solidão. E tu te calas.

        Ei-la, a passos de seda, agora chega a Tristeza. Que megera! Não há senão que deixa-la passar, a essa bruxa, com os seus trastes e trapos. Morte, onde estás? E tu te calas.

        Desce  a   noite;  e   com  a   escuridade,  a   doce Resignação. Jazemos no pó, sem mitos, sem orgulho. É a tua hora, achega-te, noiva de preto, silenciosa amiga.

         Melancolia, Melancolia, como as tuas mãos são leves!

 

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