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       XIX

 

J A N E L A S

 

 

 NAS douradas manhãs - e também às tardes - você gosta de vir se debruçar à janela.

      Roçam os gerânios a colorida pelúcia das pétalas em seu rosto, e você se deixa, face na mão, olhando. (Ó indiscretos, impudentes gerânios, que procurais assuntar tão perto dos lábios dela?)

     Janelas! Que é uma janela? Promessa de liberdade, infinita oferenda de azul: a partida sem ir melhor do que se fora.

       Janelas! Que é uma janela? Abrir de perspectivas na hora em que nos olhos chove cinza e anoitece.

      Janelas! Um estar de olhos postos nas coisas sem as ver; a dispersão dos motivos; o romanesco devaneio; e mais a evocação, e também o suspiro em segredo; a saudosa palavra levada ou trazida pelo vento - isso é a janela.

     Por isso eu compreendo o seu gosto, longamente o compreendo, quando nas douradas manhãs ou às tardes, você vem menina-e-moça, se debruçar face na mão entre gerânios, olhando, à janela.

 

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