XXV
 
 
MURALHAS DA CHINA

NASCE o dia.  Águas cantam nas fontes. Rosas vermelham nos jardins do mundo. Vêm abelhas buscar mel nas corolas, enquanto os pardais esvoaçam, perseguem-se em amor.

     Vai porém, um homem pela rua. De repente esse homem encontra outro homem. E a muralha cresce! Cada qual engatilha a metralhadora, afia o seu punhal de bolso.

       Ei-los.  Falam,  falam, e a  muralha a fabricar-se ali, pelas mãos deles. Alta e espessa: pedra sobre pedra, em sólida argamassa.

         É por isso que às vezes  um levanta a voz.  Até grita ou berra. Está se pondo na ponta dos pés, a estirar o braço por cima, por cima da muralha. Por vezes, também praticam um buraco (pequeno) no paredão:” – “Ô você !” “- Fala, querido !”

         Palavras.  Mal  se vislumbram  –  levariam  anos-luz para se descobrir.

        Mas a vida,  esta ignora  o desamor dos homens, a vida esplende: águas cantam nas fontes, rosas vermelham nos jardins do mundo...

 

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