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       XIII

 

P Á S S A R O

 

 

 O SILÊNCIO aninhava-se pelos cantos, silêncio perfumado de incenso e magnólias. A lâmpada votiva, suspensa, queimava a sua ardente devoção. Nós, encolhidos de frio, nos bancos frios, éramos uns vultos quietos na penumbra da capela.

     Imprevisto e impetuoso. Um dardo.

     Foi como um dardo que penetrou pela janela. Piando, piando, tal se fugira perseguido... Pardal? Andorinha? Coisa minúscula, mancha escura animada de movimento.

     Bateu o frágil corpo no vitral gótico, subiu ao teto, desceu e de novo se foi chocar contra o mosaico iluminado, lá onde havia uma legenda em azul:

 

Olhai as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam,

E o Pai celestial as alimenta.

 

     Esvoaçando, esvoaçando, tentou evadir-se para o espaço, para a liberdade, pela bandeira envidraçada da janela - e abateu-se ensanguentado no tapete.

      Na capela do colégio. Nós, encolhidos de frio, nos bancos frios, éramos uns vultos quietos na penumbra, meditando graves pensamentos de eternidade.

     Pardal? Andorinha? Deus meu, uma coisa sem importância!

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