Como pequeno deserto. Como pequeno deserto no longínquo

de nós dois. Ali, oculto espaço, eu e o poeta-companheiro,

ali não éramos.

Porque? Como? Difícil definir o que, nestas vias, só o absoluto

diálogo atinge. (Um dia esperávamos na fila; Lô entrou primeiro,

quando fui entrar, a porta do coletivo num arranco se fechou,

ela partiu, e nunca mais. Ah, mas isto me aconteceu com uma

amiga, é outra coisa, é outra coisa).

Mais uma vez fixamente nos olhamos.

E o momento não chegou.

Nem chegará. – O poeta-companheiro morreu ontem. Agora

hei de sempre lamentar! Ou não? Não sei. Não sei. Agora só sei

do enorme deserto e que ele é morto.

 

 

 

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 07/27

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