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 FECHO os meus poemas 

 na garrafa,  arrojo-a  às  ondas 

 Onde  o  mar  é  sempre - 

 contra  corais  se  quebre  ou  dê   

             a  uma  mesa  posta    

Mas vale a pena ter vindo uma vez, fitar o Sol

Por isso eu o busco, a esse amigo difícil, por isso eu gosto de me fazer ao mar.

NÁUFRAGO de ti, vogas nas águas do sono...

Um galo ( que não ouves ) saúda o nascer do dia

  NÃO QUERO TROPEÇAR em raízes. Nem olhar para trás.  

 

...isto tudo que passa por você, que você despreza ou ama, tudo isto olha! é a vida: essa coisa desbordante, incoerente, maravilhosa, a vida!

 NÃO  desesperes, Érika 

 da sorte   

   Um  a  um  os  teus  deuses 

 mudaram-se  pra  América do 

 Norte?  

      Toda-poderosa – 

 dança!  voa!  ri da morte 

  Vem na asa do vento a música dos seixos...  

ORA, NÃO PERCAS TEMPO A DESAMAR

 A casa nova e branca é um lar: 

 janelas e portas abertas, 

 o cheiro bom a lavanda... 

Te    compreendo,  pequeno  seixo  redondo,  é   preciso esperar, é preciso abençoar a dor que desgasta arestas e asperezas - e depois, depois aspirar à perfeição ainda!

A ÁRVORE MORRE DE PÉ,

O ANIMAL RECOLHE-SE,

O HOMEM ESPETACULIZA A MORTE

  DEIXA QUE TEU PÉ DESCALÇO SINTA A TERRA NUA  

  TRABALHO CONSTRÓI, O ÓCIO CRIA  

Do fundo da memória, poço estreito

Desta névoa, delida mais que um rastro

                 Resta: "Quem sabe, longe do meu peito

                            Talvez meu coração já foi um astro..."

  HÁ COISAS TRISTES, POUCAS COMO UM NINHO DESERTADO  

Mas a vida, ah! a vida não é o-feito-pelo-homem.

Está para além. E é reverência.

PARECIA uma verbena

      e era nascida nas dunas.

  PERMITE QUE O MITO, ESSA FRANQUIA, TE NUTRA OS OSSOS  

 Escritor, Poeta, Ensaísta e Tradutor  

Nov/1986

cmp